TRISTE FIM
Escrevo este texto com as informações que tenho no início da tarde de quarta-feira, quando saí em viagem para Belo Horizonte. O fim do governo Gustavo Prandini vai se desenhando pior do que o imaginável pelo maior de seus inimigos políticos. Na melhor das hipóteses, caminha para terminar insolucionável, parafraseando o petista forasteiro Juvenal, aquele que veio lá do Vale do Aço para ensinar a trabalhar a turma do coitado do Settran.
Atolado em dívidas e sem nenhuma significativa obra sua inaugurada, o governo do prefeito Gustavo Prandini vinha capengando com o fardo de uma encomenda para a qual se mostrou incapaz e inexperiente. Respirava por aparelhos colocados pelo que lhe restava de base política com alguma expressão, ou seja, petistas muito mais preocupados com os salários que recebem do que com a ressuscitação do eventual chefe. A morte política já era cantada em prosa e verso e, como bem disse o ex-verde Célio Lima, só faltava alguém para fechar a tampa do caixão.
Parece que não falta mais. A penúltima má notícia que serviria como a última pá de terra sobre o túmulo foi a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que quem teve conta reprovada na campanha de 2010 estaria inelegível, o que o Tribunal Regional Eleitoral tem estendido sua compreensão àqueles com contas reprovadas também em 2008. E Gustavo as tem em estado irreversível e definitivo, pois já foram condenadas em primeira, segunda e última instância.
Pior do que a decisão do TSE foi sua repercussão dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), maior expressão na base política que elegeu e manteve Prandini no cargo. Era a deixa que os petistas precisavam para pular fora da proposta de manutenção da aliança para atender ao desejo de reeleição do pior prefeito da história do município.
A intenção dentro do partido de não repetir a aliança surgiu há mais tempo e vinha crescendo o número de adeptos com as trabalhadas e inabilidade política do pacto umbilical que resumia as decisões na sociedade limitada do poder entre Gustavo e seu ajudante-mór Emerson Duarte.
Com a avaliação positiva de Prandini não ultrapassando a casa dos 17% e sua rejeição atingindo os 68%, a decisão do TSE era a gota d’água que faltava para os petistas decidirem salvar o partido da bancarrota que se anunciava. Salvar o partido de uma acachapante derrota eleitoral passou a ser palavra de ordem para muitos e o caminho que se revelava era a definição por candidatura própria. Não se trata de covardia e nem de partir para a oposição. O objetivo mais claro dos menos radicais é não comprometer a história do partido em João Monlevade, com uma atitude passiva de manter uma aliança que não vai levar o PT a lugar algum.
O vereador petista Belmar Diniz já cantara este pedra há mais tempo, neste mês sua colega e presidente do partido, Dulcinéia Caldeira, defendeu abertamente a candidatura própria e, nesta semana, o também petista Gentil Bicalho, do alto de sua importância como secretário de Esportes de Gustavo Prandini, anunciou sua pré-candidatura sem deixar o cargo.
Hoje, sexta-feira, os petistas se reúnem em plenária para discutir se continuam com a aliança ou se lançam candidatura própria. Será surpresa se a continuidade da aliança com Prandini na cabeça prevalecer. O pedido de demissão do chefe de gabinete nesta quarta-feira, no entanto, revela que o quadro é desfavorável ao prefeito Gustavo Prandini e tudo pode acontecer. Até mesmo o PT adiar sua decisão.
Prandini, no entanto, não pode culpar ninguém, nem mesmo a oposição ou a imprensa. E muito menos o PT ou sua base aliada. Tudo o que se verifica na realidade de todas as dificuldades tornadas públicas hoje é que os problemas são resultados de sua inabilidade política e de sua arrogância. Basta dizer que o presidente da Câmara, Pastor Carlinhos, seu aliado e único vereador de seu partido (PV), há cinco meses não é recebido em audiência pelo prefeito.
A esperança jovem de 2008 vai anunciando seu triste fim. De uma forma vergonhosa e burra. É uma pena...