Por Márcio Passos

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A INDIFERENÇA DE MONLEVADE

No início de outubro do ano passado, a direção mundial da ArcelorMittal anunciou a paralisação das obras de ampliação da capacidade de produção da Usina de Monlevade. Não se trata de ampliação do galpão de uma oficina de carros no Cruzeiro Celeste e nem o aumento de tiragem do jornal A Notícia. Sem nenhum demérito à importância dos investimentos em mecânicas e jornais para a economia da cidade, estamos falando da empresa que representa quase 80% dessa economia e cuja ampliação garantiria autonomia financeira de mais de meio século ao município e região.

A ampliação da Usina de Monlevade representa um salto na produção de 1,2 milhão de toneladas de aço/ano para 2,4 milhões de toneladas. È o dobro da produção atual. Mais do que isso, é o fortalecimento da capacidade de competitividade da usina no mercado mundial, a garantia da base econômica do município com aumento da receita da Prefeitura e ampliação do mercado de serviços, gerando mais empregos e saúde financeira por décadas.

O anúncio de que as obras seriam paralisadas colocou em risco todas as possibilidades de um futuro mais seguro e melhor para João Monlevade e para a região de sua abrangência. Balde de água fria numa economia vitalizada pelo anúncio e início das obras, com prejuízo imediato para quem investiu confiante no cumprimento do projeto, além de frear intempestivamente o boom que se verificava no mercado da construção civil.

A euforia de um novo eldorado, inclusive com ótimas perspectivas para as finanças públicas abaladas pela falta de eficiência de gestão, deu lugar a uma onda de desânimo e indefinições que deixaram toda a comunidade perdida e abandonada à própria sorte.

Em dezembro, ainda com as obras não totalmente paralisadas, a sociedade monlevadense respondeu através de provocação por pesquisa de opinião pública. Para 74,7% da população a situação os deixa preocupados ou muito preocupados, enquanto 36,2% acham que as obras serão retomadas neste ano e 61% acreditam que a usina não será vendida e permanecerá com a ArcelorMittal.

Cem dias se passaram do anúncio da paralisação, as obras realmente estão paradas, quase ou mais de mil trabalhadores deixaram a área e não se falou mais no assunto. Melhor dizendo, não se falou antes nem depois da obra parada. Chama a atenção a indiferença das autoridades públicas e lideranças de João Monlevade quanto à paralisação das obras, quanto à total falta de informação sobre o que vai acontecer e a quantas andam o projeto da ArcelorMittal.

Autoridade máxima do município eleita para representar todos os seus mais de 75 mil habitantes, o prefeito Gustavo Prandini (PV) jamais se pronunciou sobre a situação. Não se manifestou sobre o anúncio da paralisação das obras, deixou de solicitar informações e não movimentou uma palha no sentido contrário. É como se o assunto não fosse problema dele. Em outras palavras, o que a ArcelorMittal faz ou deixa de fazer com relação à usina base da economia municipal, não lhe interessa. E se alguma atitude tomou, cometeu outro erro ainda maior que é o de não comunicar aos seus representados.

A omissão, no entanto, não fica apenas com o prefeito. Onde estão a Câmara, vereadores e deputados? Sumiram? Onde estão as entidades de classe e onde foi parar a sociedade organizada e representativa de João Monlevade? Sem liderança política que a organize no sentido de defender seus reais interesses, João Monlevade cruzou os braços e assiste impávida o comprometimento de sua economia.

Os preguiçosos, desinteressados e imaturos devem estar se perguntando sobre o que poderia ser feito. A resposta é simples. Reunir os segmentos representativos da sociedade local e regional e procurar quem de direito para discutir o assunto. É isso mesmo. Buscar apoio do governo da presidente Dilma e ir a Londres, sede mundial da empresa, buscar informações e discutir possibilidades. É difícil? Sim, mas não impossível. A empresa alega pressão da crise mundial com queda no consumo de aço, mas a Usina de Monlevade não representa 2% do total de sua produção e a paralisação das obras não resolve seus problemas. De mais a mais, o que se produz aqui é de qualidade destacada no mundo e é consumido, também, por quase trinta subsidiárias do grupo que foram surgindo ao longo dos 70 anos de história do que se produziu em João Monlevade.

Ir a Londres com aval do governo Dilma pode não trazer nenhum resultado, mas só se vai saber se for lá. É isso que Gustavo Prandini e demais lideranças políticas e comunitárias ainda não entenderam e os fazem dormir em berço esplêndido hoje sem garanti-lo também para as gerações futuras.

1 comentários:

Marcio disse...

Caro Márcio, compartilho de sua posição. Eu já teria batido na porta do Mittal a meses, pedindo explicações e buscando reverter o cancelamento. Afinal a Acelor Mittal Monlevade é muito rentável, produtiva e tem gerando otimos dividendos para seus donos, sejam eles quais forem nestas ultimas décadas. O meninão mostra mais uma vez que não etm sensibilidade politica...