Por Márcio Passos

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O não-pagador de promessas

No dia 16 de agosto de 2009, quando o prefeito Gustavo Prandini ainda não tinha completado nem oito meses de governo, enviei-lhe um texto (que reproduzo abaixo) falando de minha preocupação com o excesso de promessas que ele continuava fazendo depois de eleito.

Prefeito Gustavo,

Passei o final de semana analisando o Plano de Governo que você apresentou na campanha e listei as novas demandas que surgiram ou seu governo apresentou nestes primeiros oito meses. Confira comigo: Principais 41 propostas macros: Centro Olímpico; Linha Azul; Complexo Turístico do Centro Industrial; Complexo de eventos (Areão e, agora, em nova área); Teleférico; Restaurante panorâmico; Internet grátis 24 por dia para toda a população; As questões do funcionalismo público; As propostas (ousadas) para Desenvolvimento Econômico; Mais educação incluindo cursos de medicina, farmácia e nutrição; Unidade do Cefet; Fábrica de leite e pão de soja; Restaurante do Povo; Concluir Distrito Industrial; Criar Escola do Trabalhador; Transformar o Margarida, ampliar leitos e implementar o CTI; Concluir e funcionar o Hospital Santa Madalena; Criar a Casa da Saúde; Implantar Samu; Implantar o sistema integrado de saúde com cartão; Implantação de 100% do PSF; Criar o Centro de Especialidades Médicas; PA 24 horas no Novo Cruzeiro; Criar a Empresa Municipal de Limpeza e Paisagismo; Ligar (ainda no primeiro ano) as avenidas Castelo Branco e Alberto Lima; Asfaltamentos prometidos; 100% calçamento, água, luz, redes de esgoto e pluvial; Plantar uma árvore para cada criança nascida; Estações de Tratamento de Esgoto; Canalização de córregos; Moradia Popular; Projeto Olho Vivo; Guarda Municipal; Corpo de Bombeiros; Adquirir ACM (Clube do Servidor); As propostas para o esporte e lazer; As propostas (ousadas) para a Cultura; Sub-prefeitura do Cruzeiro Celeste; Criação do Conselho Social e Político; Retornar o Orçamento Participativo; Criar o Instituto de Planejamento, Economia e Gestão Estratégia.

Demandas surgidas nos primeiros oito meses de governo: 103 casas populares para o início de 2010 passaram para 1.000 nos quatro anos; Cefet anunciado para agosto aguarda novo anúncio; 10 telecentros prometidos em maio para dois meses; Posto Avançado do TEM; Programa Segundo Tempo (Esportes), Coleta Seletiva de Lixo; Unidade da Emater; Pró-Jovem Urbano; Área da Atlimarjon no Cruzeiro Celeste; Obras apuradas no PPA; Nova área de eventos; Emendas e recursos dos governos federal e estadual já anunciados.

Confesso que fiquei preocupado. Além das 41 propostas macro o Plano de Governo contempla ainda inúmeras outras ações menores, além da demanda surgida nestes oito meses. Não dá para cumprir tudo nos próximos três anos e quatro meses. Na realidade, são menos de três anos porque, na prática, pouco se pode fazer nos últimos seis meses de governo, além das dificuldades legais e burocráticas que dificultam as ações no segundo semestre do ano que vem (2010), quando teremos eleições.

Até ai tudo bem, porque a grande maioria dos governos não consegue cumprir todo o Plano de Governo apresentado em campanha. O problema é quando o percentual de ações cumpridas fica abaixo de 70%. Quanto menor o índice a partir daí, pior resultado político se obtém sobre a avaliação do prefeito e seu governo.

Em resumo, seu futuro político depende dos acertos acumulados e da capacidade de gestão que permita cumprir o maior percentual possível do Plano de Governo, o que precisa chegar a, pelo menos, 70%.

Outro aspecto importante é que os próximos dois anos serão os mais importantes de sua administração, pois tradicionalmente (ou historicamente), este é o período que pesa na avaliação do eleitorado. Ou seja, o eleitorado tende a não cobrar muito nos primeiros seis meses e não dá muito valor às ações do último ano por considerá-las eleitoreiras.

E dois anos é muito pouco tempo para cumprir 70% do que foi proposto. Mas é possível, desde que haja planejamento e gestão eficiente. Sem planejamento e gestão eficiente não teremos o resultado político que você quer e precisa.

Se não existe ainda a garantia de planejamento com gestão eficiente, é preciso buscá-la como prioridade urgente. Se já existe, é preciso montar uma estratégia política com comunicação que garanta os resultados necessários. (Márcio Passos, 16 de agosto de 2009).

Dois anos e cinco meses depois, Gustavo Prandini ainda não desceu do palanque das promessas. Não cumpriu quase nada do que prometeu na campanha, também quase nada cumpriu do que prometeu ao longo do governo e, agora, acaba de anunciar que vai asfaltar mais 30 ruas, construir um Pronto-Socorro no Cruzeiro Celeste e trazer uma unidade do Samu para Monlevade. Não vai cumprir nada porque falta gestão desde quando assumiu. Nem Pequeno Príncipe e, muito menos, Menino Maluquinho. Agora é “O não-pagador de promessas”. Promete hoje, não cumpre amanhã e promete outra coisa depois de amanhã. E ainda quer ser reeleito.

1 comentários:

Fernando Martins disse...

Qualquer semelhança com o (des)governo Izael da nossa cidade, Itabira, pode ser mera coincidência...

Ah, sim... não podemos nos esquecer de alguns itabiranos, que nos dão vergonha de chamar de conterrâneos, que ciscam e comem por aí, neste fatídico governo e que são mentores e defensores do governo daqui.

Mas deve ter nada a ver, não. Só coincidências mesmo...